
E no meu futuro, eu consigo ver nossos manhãs, eu acordando e sorrindo pelo simples fato de estar ao seu lado. No inverno, eu passaria o dia todo com sua camisa já que ela me esquenta por ser maior e porque ela tem o seu cheiro, eu pegaria os seus bonés e imitaria você andando,você não apenas riria, mas iria fazer o mesmo com as minhas coisas. Nós iriamos pedir comida de fast food pois somos dois destrambelhados na cozinha, iriamos reclamar no telefone com a atendente dizendo que estava demorando demais e iriamos rir quando desligássemos. Iriamos sentar no sofá e ficar com o cobertor vendo nosso seriado favorito, eu choraria nas partes melosas e você me chamaria de boba por isso. Veríamos filmes românticos e eu ficaria te comparando com o “mocinho”, você ficaria bravo mas mal sabe que eu não trocaria nada nem ninguém por você. Assistiríamos jogos do seu time de futebol e eu gritaria com você para você parar de gritar. Nossas discurssões iriam se basear em quem ama mais e acabaria com um beijo inesperado por ambas partes. No meu futuro, além de tudo, eu vejo você, acho que isso já basta para ele ser ótimo.

“Alguém me ensina a pensar menos nele? Alguém me ensina a não repetir centenas de vezes a mesma cena na cabeça? E não fazer dessas lembranças o meu maior martírio? Porque dói, dói muito pensar que há pouco tempo eu estive inteira com ele e o deixei partir, assim, sem insistir, sem nem um “fica mais um pouco?”. É possível não sentir esses arrepios ao lembrar-me do toque, do cheiro, do beijo dele? Ah, eu daria tanta coisa para que aquele anjo estivesse aqui comigo agora, hoje, amanhã, sempre. Eu daria tudo pra vê-lo sorrir mais uma vez pra mim, mas quando estou com ele fico tão pequena, entrego-lhe o que ainda me resta, ele vai embora e eu fico aqui, me sentindo incompleta, me sentindo um nada, sobrevivendo apenas de migalhas da minha memória.”
- Caio Fernando de Abreu






